Arte de ler, A. (SERPA, 2005)

Voto é marketing: o Resto é Política (1) (Cid Pacheco e Marcelo Serpa , 2005).
01/01/2005
Arte de ler, A (Mortimer J. Adler e Charles Van Dorem, 1974).
14/05/2005

A ARTE DE LER: metodologia de estudo – leitura.

Coleção Fichas de Leitura. SERPA, Marcelo H. N.
Rio de Janeiro: ECO/UFRJ, 2005.

Extraído do texto de
ADLER, Mortimer J. DOREM, Charles Van. A ARTE DE LER. Rio de Janeiro: Agir, 1974. 393 p.

arte de lerComo já dizia um grande comunicador da TV brasileira: Alô Você! Este material foi desenvolvido especialmente para você, aluno.

Mas afinal, quem é você? Ou, como é que você foi imaginado por estes professores que lhes escrevem? Ou, ainda, para usar um jargão mais técnico, como foi idealizado o público-alvo deste nosso curso? E que material será resultante deste exercício de identificação de público?

O material deste Curso está voltado para aqueles que desejam tornar-se melhores comunicadores através da leitura, ou seja: para leitores.

Por leitores, entendemos pessoas habituadas a buscar na palavra escrita grande parte da sua informação e do seu conhecimento. Não a totalidade, uma vez que parte da informação é adquirida por meio da palavra falada e da observação direta ou indireta. Mas para “leitores”, em especial, a informação falada ou observada nunca é o bastante. Eles sabem que devem ler e lêem.

Os alunos do Curso deverão ler este material de apoio, os diversos artigos indicados – inclusive via Internet, os livros apontados na bibliografia etc., pois participar de um curso presencial é, em muitos aspectos, semelhante à leitura de um livro. Ouvir uma aula nada mais é do que lê-la, em certos aspectos. Por uma boa razão, estamos enfatizando a leitura. Porque ouvir (ou assistir) uma aula é aprender com um professor que está presente, enquanto ler é aprender com um professor que está ausente.

Se você fizer uma pergunta a um professor ele, provavelmente, atenderá oferecendo uma resposta. E se você ficar confuso com a resposta pode indagar dele o que quis dizer. Se, porém, você fizer uma pergunta a um livro ou a um artigo ou a qualquer outro material de leitura indicado por este Curso, você mesmo terá de respondê-la. Tal como a Natureza, quando você interroga um texto ele só responde na medida em que você faz, por si só, o trabalho de reflexão e análise. As palavras do texto são o todo com o que você pode contar para guiá-lo. Assim, antes mesmo de abordar o nosso tema, gostaríamos de repassar com você as fases de uma leitura proveitosa.

Há 4 (quatro) perguntas básicas que você deverá responder acerca de um texto lido:

– De que trata o texto todo?
– O que está sendo dito em detalhe e como?
– O texto é verdadeiro no todo ou em parte?
– O que resulta daí?

Observe que, para efeito desse nosso curso (e não somente para ele), ler um texto é um esforço da parte do leitor no sentido de crivá-lo de perguntas e respondê-las, da melhor forma possível. Este é o conceito de leitura ativa.
As quatro perguntas acima formuladas sintetizam o que nós chamamos de “obrigação do leitor”.

Uma Leitura Inspecional tende a fornecer respostas somente às duas primeiras perguntas – (1) De que trata o texto todo? e (2) O que está sendo dito em detalhe e como?. As duas últimas perguntas – (3) O texto é verdadeiro no todo ou em parte? e (4) O que resulta daí? – costumam exigir o esforço de uma Leitura Analítica.

Lembre-se, Leitura Inspecional ou Pré-leitura é aquela que você faz ao folhear o texto em busca de seus nexos principais, a fim de ter uma idéia de sua forma, estrutura e conteúdo. Nela, você não está em busca do entendimento de cada palavra ou página do texto. Ela é apenas uma primeira leitura.

Esta é a essência da Leitura Inspecional. Você não receia ser ou parecer superficial. Vai até o fim do texto, mesmo do texto mais difícil. Neste momento, você estará, então, preparado para lê-lo bem da segunda vez.

Fazemos a Leitura Inspecional em dois estágios. O primeiro, o estágio de olheiro sistemático, que antecipa a compreensão da estrutura do texto (qualquer texto, mesmo um livro) e o segundo, o estágio de Leitura Superficial, que é, nada mais nada menos, a leitura de um texto, pela primeira vez, do começo ao fim, sem paradas para consultas ou reflexões sobre pontos não compreendidos de imediato. Presta-se atenção ao que se entende e não se deixa interromper pelo que não se entende logo de saída. Segue-se em frente, avançando-se além do ponto onde se tem dificuldades de compreensão, até chegar-se aos trechos de compreensão. Notas de rodapé, observações, comentários e referências são objetos de leitura posterior. Só depois desta fase é que você deverá riscar os seus textos (sublinhar as idéias mais relevantes).

Atenção! Você estará tentado a interromper a sua Leitura Inspecional – quase todos aprendemos a prestar atenção ao que não compreendemos. Dicionários, enciclopédias, textos de consultas, notas de rodapés são para leitura posterior. Não ceda às tentações. Na Leitura Inspecional, leia o texto todo sem interrupções até o seu fim.

Se você conseguiu vencer os obstáculos da Leitura Inspecional ou Pré-leitura, está pronto para a leitura analítica.

A Leitura Analítica, como você já percebeu, é uma segunda leitura onde, além de procurar responder do que trata o texto, você vai interpretar o seu conteúdo, enunciando a unidade do texto todo numa única frase ou, no máximo, numas poucas frases (um parágrafo curto); descrevendo as partes principais do texto e mostrando como se organizam num todo, por estarem harmonizados entre si e com a unidade do todo; descobrindo quais eram as preocupações e problemas do autor; descobrindo as palavras importantes que o autor utiliza; Assinalando os períodos mais importantes do texto e descobrindo as proposições que eles contêm; localizando os argumentos básicos do texto e as soluções propostas pelo autor.

Se você chegou à conclusão da leitura analítica então estará apto a responder as quatro perguntas básicas propostas acima. Mais que isso, você deverá ter ampliado os seus conhecimentos no que se refere ao tema estudado, ou seja, mais que ler um texto pela informação que ele contém, você terá incorporado ao seu entendimento/conhecimento o assunto abordado pelo tema. E, se além disso, o tema lhe agrada, então você pôde lê-lo para seu entretenimento e lazer.

Anote alguns artifícios para se riscar um texto.

– Sublinhamento – dos pontos principais; de afirmações importantes ou convincentes;
– Linha verticais na margem – para ressaltar uma afirmação já sublinhada ou indicar uma passagem longa demais para ser sublinhada;
– Asterísco ou outro sinal na margem – usar com parcimônia para salientar as dez ou doze afirmações ou passagens mais importantes do texto.
– Números na margem – para assinalar uma seqüência de proposições formuladas pelo autor ao desenvolver um argumento;
– Números de outras páginas na margem – para indicar outras partes do livro que contenham os mesmos pontos, ou pontos pertinentes, ou contrários aos aí marcados; para enlaçar as idéias de um texto;
– Círculos em volta de palavras ou frases – têm praticamente a mesma função do sublinhamento;
– Anotação na margem, no alto ou no pé da página – de perguntas (ou respostas) que um trecho suscita em nosso espírito; reduzindo uma discussão complicada a umas poucas palavras.

Você ainda poderá marcar a página dobrando-a ou colocando pequenas tiras de papel para, a qualquer momento, tirar o texto do arquivo e abri-lo no ponto certo para consulta e rápida re-memorização.

Agora que você já venceu a etapa anterior, registre estes procedimentos que orientarão o seu estudo por ocasião de uma Leitura Inspecional em seu primeiro momento (Folheio ou Pré-leitura). Diante de um livro ou um texto qualquer, observe estas sugestões para sua Pré-leitura.

– Passe os olhos pelo prefácio, se houver;
– Examine a tábua ou índice, se houver;
– Leia a publicidade do editor ou do autor, se houver;
– Veja sumariamente os capítulos que pareçam fundamentais para o assunto;
– Vire as páginas detendo-se aqui e ali, lendo um ou dois parágrafos, às vezes algumas páginas em seqüência, nunca mais do que isso.

Você acabando o Folheio ou Pré-leitura de um texto, em pouco tempo, seguindo essas instruções, você obterá pistas que o levarão ao tema ou idéia geral do texto e verificará como tudo ficou mais fácil.
Antes de avançar, você poderá riscar o seu texto de acordo com a sua conveniência.

No segundo momento da Leitura Inspecional (Leitura Analítica), diante de um livro ou um texto qualquer, siga este roteiro.

– Diga do que se trata o texto com a máxima concisão;
– Enumere as partes principais por ordem e segundo a relação que guardam entre si e delineie essas partes tal como já fez em relação ao texto como um todo;
– Defina o problemas ou os problemas que o autor tentou resolver.

Acabando a primeira etapa da Leitura Analítica, em pouco tempo você verificou que foi capaz de responder às duas primeiras perguntas básicas propostas: (1) De que trata o texto todo? e (2) O que está sendo dito em detalhe e como?

Na seqüência, dentro da segunda fase da nossa Leitura Inspecional, vamos aprofundar um pouco mais a Leitura Analítica, buscando a interpretação dos conteúdos.

– Analise os termos do autor, interpretando-lhes as palavras-chaves;
– Apreenda as principais proposições do autor, examinando-lhe os períodos mais importantes;
– Conheça os argumentos do autor descobrindo-os nas seqüências dos períodos ou construindo-os à base dessas seqüências;
– Determine quais problemas o autor resolveu e quais não resolveu.

Assim, você acabou a segunda etapa da Leitura Analítica. Veja que com um pouco mais de tempo, você foi capaz de responder às duas últimas perguntas básicas propostas: (3) O texto é verdadeiro no todo ou em parte? e (4) O que resulta daí?

(Extraído do texto de ADLER, Mortimer J. DOREM, Charles Van. A arte de ler. Rio de Janeiro: Agir, 1974. 393 p.)

Observe esta proposta para a nossa disciplina e irradie esse procedimento para outras matérias e você verá como é fácil atingir os objetivos propostos pelo curso.

Boa Sorte!